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Quando o corpo pede pausa: a travessia silenciosa do Burnout

dez 2025

A síndrome de Burnout é uma doença diretamente relacionada ao trabalho e associada ao termo de “esgotamento profissional”.

Por Maysa Falcão

Há uma exaustão que vai além do simples cansaço. Não é apenas o peso de um dia longo, mas uma fadiga que se instala na alma, no olhar e até no silêncio. Essa é a marca do burnout — uma síndrome que, como fogo lento, consome sem fazer barulho.

O nome vem do inglês: burnout, que significa “queimar até o fim”. É isso que muitos trabalhadores, estudantes e profissionais de diferentes áreas sentem ao perceber que já não têm mais forças, mesmo depois de dormir, descansar ou se esforçar para seguir. É como se a chama que impulsionava o viver tivesse se transformado em cinzas.

Um inimigo invisível

O burnout não chega de repente. Ele se infiltra aos poucos, entre metas inalcançáveis, jornadas intermináveis e a cobrança constante por resultados. No início, parece apenas cansaço. Depois, vira insônia, dores no corpo, falta de concentração, um desânimo que não passa.

Segundo a psicóloga Adriana Gomes, “o burnout é uma síndrome resultante de estresse crônico no trabalho que não foi bem gerenciado.”

O coração acelera, mas a vida perde o ritmo. A mente trabalha sem parar, mas o prazer em viver se apaga. E, nesse ciclo, o ser humano se reduz a uma máquina que cumpre tarefas, mas esquece de si mesmo.

Sinais que ecoam na alma

Quem passa pelo burnout não sofre só fisicamente. Há uma dor silenciosa que se revela em pequenos gestos:

  • O olhar perdido em frente ao computador.
  • A sensação de estar presente, mas distante de tudo.
  • O vazio de não encontrar mais sentido no que antes dava orgulho.

Não é preguiça. Não é fraqueza. É um corpo gritando pelo que a mente insiste em negar: “eu preciso parar”. A diferença em relação ao cansaço comum é marcante. Como explica Adriana, “no burnout, mesmo após descanso, a pessoa continua exausta, desmotivada, apática, com dificuldade de concentração e sintomas físicos persistentes.”

Entre cinzas e recomeços

A síndrome de burnout é hoje reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como um fenômeno ocupacional. Isso significa que o ambiente de trabalho é um dos principais gatilhos. Mas ela também é reflexo de uma sociedade que valoriza mais a produtividade do que o bem-estar.

E, ainda assim, há um lado de esperança. O burnout pode ser o convite que a vida nos faz para voltar ao essencial: o descanso que cura, o silêncio que reorganiza, a pausa que dá novo fôlego.

No convívio social, os reflexos também aparecem. “O burnout pode levar ao isolamento, à impaciência e a conflitos interpessoais, prejudicando relacionamentos familiares e de amizade”, reforça Adriana Gomes.

Reaprender a dizer “não”. Estabelecer limites. Cuidar do corpo, da mente e das relações. Lembrar que o trabalho é parte da vida, mas nunca deve ser maior do que ela.

O direito de desacelerar

Falar sobre burnout é falar sobre humanidade. É lembrar que ninguém nasceu para ser máquina, que até os sonhos precisam de pausa para florescer. É valorizar o tempo de qualidade, o ócio criativo, os momentos em que nada precisa ser entregue além da própria presença.

“Com apoio adequado e novas práticas de autocuidado, é possível retomar a energia e até desenvolver mais resiliência para lidar com os desafios do futuro”, conclui a psicóloga Adriana Gomes.

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