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Menopausa: conversas que precisamos ter

set 2025

Um olhar franco sobre o corpo, o tempo e o silêncio que ainda cerca essa fase.

Por Daniele Globo

Por que ainda hesitamos tanto em falar sobre menopausa? Essa fase absolutamente natural — que toda mulher viverá se tiver tempo suficiente de vida — ainda é envolta em silêncio. Em boa parte, porque nos confronta com algo que nossa sociedade evita a todo custo: a finitude.

“Vivemos numa cultura do scroll infinito, de promessas de juventude eterna. E a menopausa escancara que o tempo passa. Que há ciclos, e que também há encerramentos. Isso assusta”, afirma a psicóloga Graziela Vanni, de São Carlos.

Romper esse silêncio é urgente. Porque os sintomas existem, podem ser tratados — e porque o envelhecimento feminino não é um fracasso, é uma travessia. Uma fase que pede cuidado, não vergonha.

Sintomas reais, impactos invisíveis
A menopausa não “chega de repente”. Antes dela, existe o climatério, quando os hormônios oscilam e os sintomas começam a aparecer: ondas de calor, insônia, irritabilidade, secura vaginal, ganho de peso, falhas de memória. Estudos indicam que até 80% das mulheres terão fogachos — e em parte delas, os sintomas duram mais de 5 anos. Mas nem tudo é físico. Graziela explica: “A mulher começa a perder a energia vital que movia 50 projetos. Sente que está menos produtiva, menos reconhecida. Não se reconhece no espelho, nem no corpo. E isso tudo vai se somando num luto não nomeado: pela fertilidade, pela imagem jovem, pela antiga identidade.”

Saúde íntima: quando o corpo pede outro tipo de atenção
A queda do estrogênio fragiliza os tecidos da região íntima. Isso pode causar dor na relação sexual, fissuras vaginais, infecções, perda de lubrificação — e ainda assim, muitas mulheres evitam falar sobre isso.

“A musculatura do assoalho pélvico enfraquece, o que pode causar incontinência urinária e até prolapso de órgãos como bexiga e útero”, explica a fisioterapeuta pélvica Dra. Erika Tejima, que atua com saúde íntima feminina. “A fisioterapia pélvica é essencial para prevenir e tratar esses quadros, além de melhorar a circulação, o prazer e a autoconfiança.”

Sexualidade muda (mas não precisa desaparecer)
Secura vaginal, dor, diminuição do desejo… tudo isso pode acontecer — mas é tratável. E o prazer continua sendo possível. “A gente precisa parar de achar que acabou. Com informação e cuidado, a sexualidade pode ganhar até novos significados”, afirma a Dra. Erika.

Ela recomenda o uso de lubrificantes e hidratantes vaginais, além de técnicas de fisioterapia e autoconhecimento. “A mulher pode descobrir um novo jeito de sentir prazer, sem pressa e sem culpa. Às vezes, até mais profundo e conectado do que antes.”

A psicóloga Graziela complementa: “Há uma perda da energia sexual como a conhecíamos — e isso pode assustar. Mas também é um convite para cultivar uma nova relação com o próprio corpo. Uma sexualidade menos performática e mais verdadeira, que não precisa ser validada pelo outro, mas que pode continuar cheia de sentido e presença.”

Não é só sobre hormônios — é sobre perdas simbólicas. A imagem no espelho, a energia vital, o desejo. Precisamos falar sobre isso.
— Graziela Vanni

Menopausa não é fracasso. É transição. É vida real pulsando de outro jeito.

O cérebro muda — mas também se adapta
Durante essa fase, muitas mulheres relatam lapsos de memória, ansiedade ou tristeza. Não é imaginação: o estrogênio influencia neurotransmissores como serotonina e dopamina. Com sua queda, o cérebro precisa se reajustar.

Pesquisas recentes mostram que essa “névoa mental” tende a melhorar com o tempo. O cérebro se recalibra. Atividades como leitura, exercício físico, meditação e boas noites de sono ajudam a atravessar esse período com mais equilíbrio.

Potência em todas as fases
“Tem dias que eu acordo e me pergunto: quem é essa mulher que habita em mim hoje?”, diz Graziela. “Às vezes vem cheia de energia. Às vezes cansada. E tudo bem. A gente não precisa fingir potência o tempo todo.”

Mais do que nunca, essa fase pede rede de apoio, informação e liberdade. Envelhecer é viver. E a menopausa, como todo ciclo da vida, merece ser vivida com dignidade, afeto e escolha.

Que essa matéria seja um convite para abrir conversas, romper silêncios e cuidar de cada fase da vida com respeito e escuta verdadeira.

“Que cada ruga conte uma história. Que cada fase traga sua beleza. Porque menopausa não é fim — é potência que se transforma.”

Dicas práticas para viver melhor a menopausa

Para o corpo:

  • Movimente-se! Caminhada, dança, musculação ou pilates ajudam no humor, no sono e na saúde dos ossos.
  • Alimente-se com intenção: inclua cálcio, vitamina D, ômega-3 e alimentos com isoflavonas (como soja e grão-de-bico).
  • Hidrate sua intimidade: lubrificantes e hidratantes vaginais podem fazer toda a diferença. Prefira os sem perfume ou corante.
  • Fale com sua fisioterapeuta pélvica: exercícios, equipamentos e acompanhamento profissional ajudam no prazer, na continência urinária e na autoestima.

Para a mente:

  • Durma bem: crie uma rotina noturna, evite telas antes de dormir e respeite seu cansaço.
  • Apoie-se em redes reais: trocar com outras mulheres ajuda a tirar o peso do isolamento.
  • Respeite seus ciclos: há dias de mais energia e outros de menos. Isso é normal — e humano.

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