O mundo do trabalho passa por transformações aceleradas — e uma delas envolve a forma como enxergamos a idade dos profissionais. Se antes a experiência era vista como diferencial, hoje, a busca por perfis “dinâmicos” e a pressão por inovação abriram espaço para um preconceito cada vez mais discutido: o etarismo, discriminação baseada na idade, que atinge sobretudo quem tem mais de 40 ou 50 anos.
Por Alexandre Marques

Essa visão, porém, não condiz com a realidade. A maturidade emocional, a análise crítica e a bagagem prática de profissionais mais velhos são ativos valiosos para empresas que desejam crescer de forma sustentável. É tempo de quebrar paradigmas e reconhecer que bons profissionais não têm prazo de validade.
O que é o etarismo e como ele se manifesta

O etarismo vai além de piadas sobre idade. Ele aparece em processos seletivos que privilegiam jovens, em campanhas que associam inovação à juventude e em planos de carreira que ignoram a experiência.
Em áreas como tecnologia e comunicação, o preconceito é ainda mais intenso, limitando a diversidade e desperdiçando talentos.
Segundo Fernanda Toledo, CEO da IntellGente Consult, muitas empresas deixam de aproveitar um recurso valioso.
“São profissionais que trazem experiência e sabedoria para as equipes e contribuem para os bons resultados das organizações”, observa.
Ela destaca que setores como atendimento ao cliente e liderança se beneficiam especialmente da presença de trabalhadores maduros — pela paciência, empatia e capacidade de gestão em momentos de crise.
A força da experiência
Em tempos de imediatismo, a experiência é um dos maiores ativos corporativos.
Profissionais com mais tempo de carreira dominam habilidades que não se aprendem apenas em cursos — como negociação, inteligência emocional e visão de longo prazo.
Equipes multigeracionais equilibram energia e sabedoria, unindo o melhor de cada fase.

Iniciativas e caminhos possíveis
Cresce o número de empresas que compreendem o valor da diversidade etária. Programas de contratação voltados a profissionais 50+ e plataformas como a Maturi vêm abrindo espaço para esses talentos.
Universidades e instituições também oferecem cursos de atualização e inclusão digital, provando que aprendizado não tem idade.
O papel das empresas
Combater o etarismo requer políticas claras:
• Processos seletivos que priorizem competências, não idade;
• Equipes diversas, com trocas e mentorias reversas;
• Oportunidades iguais de capacitação e crescimento.
Essas ações fortalecem a cultura organizacional e aumentam a criatividade e a resiliência das equipes.
Sempre é tempo de bons profissionais
A diversidade geracional é uma vantagem competitiva. Aproveitar talentos maduros é apostar em resultados sólidos e humanos.
A idade não é obstáculo, é bagagem. E quando juventude e experiência caminham juntas, o futuro do trabalho se torna mais justo, inovador e plural.