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Moda Circular: o futuro da moda é ter propósito

nov 2025

Em um setor que ainda polui e desperdiça, cresce um movimento que valoriza o reuso, o consumo consciente e o impacto positivo. No Brasil, cases como o Peça Rara mostram que estilo e sustentabilidade podem, sim, andar lado a lado.

Por Daniele Globo

Durante décadas, a moda foi movida pela velocidade. A cada estação, novas tendências, coleções relâmpago e o incentivo a descartar o “antigo” para dar lugar ao “novo”. Essa lógica da fast fashion alimentou uma das indústrias mais poderosas — e também mais poluentes — do planeta.

Hoje, a indústria da moda responde por 8% a 10% das emissões globais de carbono e 20% de toda a poluição industrial da água. Todos os anos, são produzidas 92 milhões de toneladas de resíduos têxteis, e o Brasil participa dessa conta com mais de 4 milhões de toneladas descartadas anualmente. Pior: menos de 20% do que é produzido tem destino sustentável.

Isso representa não apenas um impacto ambiental, mas também uma perda econômica global superior a US$ 500 bilhões por ano em peças que poderiam continuar em circulação.

Foi dessa urgência que nasceu o conceito de moda circular — um sistema que busca prolongar o ciclo de vida das peças, repensando todas as etapas da cadeia: da criação ao descarte. A proposta é simples, mas poderosa: usar mais, desperdiçar menos e ressignificar o consumo.

Em vez de produzir em excesso e descartar rapidamente, a moda circular convida o consumidor a comprar de forma mais consciente, reutilizar o que já existe, reformar e revender. O resultado é uma economia que preserva recursos naturais, reduz emissões e cria novos modelos de negócio.

O movimento deixou de ser nicho. Segundo o Conselho Federal de Administração (CFA), o Brasil já tem mais de 118 mil brechós ativos e o setor cresce cerca de 20% ao ano. Globalmente, o mercado de roupas de segunda mão cresceu 31% em 2023, e a previsão é que até 2030, o consumo circular represente mais de 15% do varejo de moda mundial.

Entre as marcas que impulsionam essa revolução no Brasil, o Peça Rara Brechó é um dos nomes de maior destaque. Criado por Bruna Vasconi, a marca nasceu do desejo de dar novos ciclos a peças paradas no armário — e se transformou em um dos maiores cases de moda circular do país.

Com um modelo de consignação, o Peça Rara permite que qualquer pessoa revenda suas roupas, calçados e itens de decoração em bom estado. Ao ser vendida, a peça gera crédito para o cliente ou valor em dinheiro — e ganha uma nova história nas mãos de outro consumidor.

Em 2024, a rede ultrapassou 130 lojas em todo o Brasil, comercializando 3,7 milhões de itens e movimentando mais de R$ 250 milhões. O impacto ambiental também impressiona: 38 bilhões de litros de água economizados e 237 mil toneladas de CO2 evitadas.

A atriz Deborah Secco, que se tornou sócia e embaixadora da marca em 2022, ajudou a amplificar o propósito do negócio. “A moda circular é sobre dar valor ao que já existe”, afirma. “Não se trata de comprar menos, mas de comprar com consciência.”

Com a parceria do Grupo SMZTO, liderado por José Carlos Semenzato, o Peça Rara traça planos ambiciosos: chegar a 300 unidades até 2030, expandindo seu modelo sustentável e social para todo o país.

O propósito da marca se estende ao Instituto Eu Sou Peça Rara, braço social criado em 2019 para destinar peças não vendidas a bazares beneficentes. Em 2024, foram mais de 2 mil bazares, ressignificando 300 mil itens e revertendo R$ 2,8 milhões para causas sociais.

A ascensão da moda circular também se conecta a uma nova forma de se expressar. As gerações mais jovens não querem apenas seguir tendências — querem pertencer a causas. É por isso que comprar uma roupa usada deixou de ser tabu e passou a ser afirmação de identidade e consciência.

A moda circular não é apenas uma alternativa mais sustentável — é uma reinvenção do que significa ter estilo. Ela valoriza a criatividade, o reuso, a troca e o impacto coletivo. Num planeta onde 9 bilhões de peças são produzidas todos os anos, vestir-se com propósito deixou de ser tendência: é necessidade.

Como resume Bruna Vasconi:
“Cada peça que volta a circular é um gesto de amor pelo planeta. Quando entendemos isso, percebemos que vestir-se bem é também vestir o futuro.”

A moda em números

  • 8% a 10% das emissões globais de carbono vêm da indústria da moda.
  • 20% da poluição industrial da água é gerada pelo setor têxtil.
  • 92 milhões de toneladas de resíduos têxteis são produzidas por ano no mundo.
  • 118 mil brechós ativos no Brasil, com crescimento anual de 20%.
  • 31% de aumento global nas vendas de roupas usadas em 2023.
  • 3,7 milhões de peças revendidas em 2024.
  • 38 bilhões de litros de água poupados.
  • 237 mil toneladas de CO2 evitadas.
  • R$ 2,8 milhões revertidos em ações sociais

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